Yzakiu’s Blog

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Rupturas Libertárias - Para Mudar Tudo!

Nesta semana estarei conversando sobre vigilância na rede e como resistir. A programação do evento está bem diversa e interessante. Vale a pena aparecer por lá.

Rupturas

O Protestódromo III: Os Produtos Se Acham Clientes

Este texto é uma continuação de um maior. A primeira parte pode ser lida aqui e a segunda aqui.

Pigs

No final do ano de 2014 o facebook avisou aos seus usuários que mudaria sua política de privacidade a partir de janeiro. Algumas pessoas nem sequer se questionaram sobre o tema, outras colocaram em suas linhas do tempo um texto, copiado de algum lugar, que mencionava uma lei de direito autoral. Texto este destinado aos administradores do facebook pedindo que seus direitos fossem resguardados.

A tentativa de se livrar da nova política soou um pouco ridícula como também ingênua. Ao entrar no facebook, você aceita os termos de uso e não é através da sua linha do tempo que você mudará alguma coisa, até porque o que a empresa fez foi tornar mais transparante a forma como ela age com seus dados[1]. Basicamente ela cruzará os dados da rede com os dos outros aplicativos.

Um outro ponto imenso de ingenuidade, que nunca entendi, é a revolta das pessoas reclamando de uma rede privada como se fossem clientes. É óbvio que são produtos, visto que servem de fontes de dados, isso incluindo valores por cabeça.

Talvez essa ingenuidade nos leve a um certo comodismo, ou vice e versa. A verdade é que este comodismo faz com que as alternativas fiquem cada vez mais distantes. É muito comum defensores da liberdade, radicais libertários chamarem propostas de redes livres de radicais.

São nestes momentos que uma solidariedade, outrora bradada por movimentos e indivíduos, é colocada ralo abaixo. Não há um respeito pela pluralidade de lutas. Sabemos que um pouco disto foi tratado no primeiro texto, mas peço para dar um exemplo recorrente.

Um usuário participa de diversas redes alternativas, listas de discussões políticas. Mas na hora de compartilhar alguma notícia interessante, só faz pelo facebook. Priva as outras redes e a lista de saber ou até de debater tal assunto. Não faz circular o fluxo de informação pelas redes, apenas em uma rede.

Finalizo aqui este texto que foi propositalmente divido em 3 partes. Cada parte jogada por diversas redes, inclusive no facebook, na espera de um feedback, do fomento de alguma discussão. Apenas likes, nenhum feedback, nenhum contraponto, nenhuma discussão, nenhuma construção…

Para que usar redes libertárias e federadas? Temos o facebook, somos produtos. Orwell riria agora.

P.S: bocas salivam e dedos apontam um grito de: contraditório! Este texto caiu no facebook integrado a outra rede. E a informação não ficará exclusiva lá, rodará.

1 – Aqui no site do podcast Segurança Legal você pode ter mais informações sobre as mudanças na política de privacidade do facebook.

Fonte da imagem: http://www.midiatismo.com.br/midias-sociais/app-net-quer-ser-a-rede-social-paga-que-nao-usa-comercialmente-as-suas-informacoes

Segurança Não é Crime

Repassando o comunicado do Riseup.net

Na terça-feira, 16 de dezembro, uma grande operação policial ocorreu no Estado Espanhol. Catorze casas e centros sociais foram invadidos em Barcelona, Sabadell, Manresa e Madrid. Livros, panfletos e computadores foram apreendidos e onze pessoas foram presas e enviadas para a Audiência Nacional, uma corte especial que cuida das questões de “interesse nacional”, em Madrid. Eles são acusados de incorporação, promoção, gestão e pertencimento de uma organização terrorista. No entanto, os advogados de defesa denunciaram a falta de transparência, dizendo que seus clientes tiveram que dar declarações sem saber pelo que estavam sendo acusados. “[Eles] falam de terrorismo sem especificar os atos criminais concretos ou fatos concretos individualizados atribuídos a cada um deles.”2 Quando questionado sobre isso, o Juiz Bermúdez respondeu:“Eu não estou investigando atos específicos, eu estou investigando a organização e a ameaça que ela pode representar no futuro”1; tornando assim mais um caso de prisões aparentemente preventivas.

Quatro detidos foram soltos, mas sete estão presos aguardando o julgamento. A razão dada pelo juíz para continuar a detenção deles inclui a posse de certos livros, “a produção de publicações e formas de comunicação” e o fato de que os réus “usam emails com medidas extremas de segurança, como o servidor RISE UP”2.

Nós rejeitamos esta criminalização kafkiana dos movimentos sociais e a implicação ridícula e extremamente alarmante de que proteger a sua privacidade na internet seja equivalente à terrorismo.

O Riseup, assim como qualquer outro provedor de email, possui a obrigação de proteger a privacidade de seus usuários. Muitas das “medidas extremas de segurança” usadas pelo Riseup são boas práticas comuns para a segurança online e são também usadas por provedores como hotmail, GMail ou Facebook. Entretanto, diferentemente desses provedores, o Riseup não está disposto a permitir a instalação de backdoors ilegais ou a vender os dados dos usuários para terceiros.

O relatório do Parlamento Europeu sobre o programa de vigilância da Agência de Segurança Nacional (NSA) dos Estados Unidos afirma que “a privacidade não é um direito de luxo, mas a pedra fundamental de uma sociedade livre e democrática”3. As revelações recentes sobre a extensão da violação pelos Estados do direito de todos à privacidade mostra que tudo que puder ser espionado será espionado4. Além disso, nós sabemos que a criminalização das pessoas por usarem ferramentas de privacidade também tem um efeito paralisante em todo mundo e, em especial, nos defensores de direitos humanos, jornalistas e ativistas. Abrir mão do seu direito básico à privacidade por medo de ser marcado como um terrorista é inaceitável.

1 https://directa.cat/actualitat/pandora-empresonada

2 https://directa.cat/jutge-gomez-bermudez-envia-preso-set-de-onze-persones-detingudes-durant-loperacio-pandora

3 http://www.europarl.europa.eu/sides/getDoc.do?pubRef=-//EP//NONSGML%2BCOMPARL%2BPE-526.085%2B02%2BDOC%2BPDF%2BV0//PT

4 http://www.spiegel.de/international/germany/inside-the-nsa-s-war-on-internet-security-a-1010361.html

O Protestódromo II: Rumando Para a Boca Da Besta

Este texto é uma continuação da primeira parte que pode ser lida aqui.

Besta

Lembro-me bem dos zines libertários que clamavam (alguns ainda clamam) a contrainformação, a mídia marginal, a contracultura.

A facilidade do acesso ao computador e à internet assustou um pouco alguns indivíduos pois pensava-se que as interações entre coletivos e indivíduos seriam abaladas. Na verdade houve um grande acréscimo aos movimentos: as “distros” puderam se comunicar mais rapidamente por e-mail e os diversos grupos puderam se articular, compartilhar experiências e dificuldades.

Bem no começo existiam, basicamente, 2 tipos de comunicação: lista de discussão de e-mails e bate-papo no IRC[1]. Que foram abandonados, na ordem, pelo MSN, Orkut e Facebook (talvez Whatsapp também).

Ainda na época de intensas produções, o Centro de Mídia Independente foi crescendo e dando uma grande visibilidade ao que acontecia, principalmente nas manifestações. Era um grande canal de mídia alternativa. Em paralelo CMI foram surgindo e amadurecendo coletivos técnicos que buscavam mais autonomia nas ferramentas tecnológicas. Desde essa época os coletivos já alertavam da importância de se criarem redes seguras e disseminação do uso do software livre.

Talvez tenha havido algum ruído de comunicação pois os alertas não chegaram a boa parte dos indivíduos. Alguns alegam que as coisas “se tornaram complicadas”, que “as ferramentas estavam em inglês”, etc. Foram surgindo então ferramentas como o Blogger/Blogspot, trazendo a facilidade de se ter um blog, além do MSN para comunicação.

O MSN, programa de bate-papo da Microsoft – empresa inimiga do conhecimento livre e pró vigilantismo – ganhou adeptos dos movimentos libertários que abandonaram o IRC. É importante saber que hoje em dia o IRC ainda está ativo, possui servidores livres e permite comunicação segura. Na época o MSN facilitava o envio de arquivos de mídia e as interações com voz e uso da webcam, era usado em conjunto com o Orkut, que permitia a criação de comunidades para trocas de informação. Como o Facebook uniu “chat + rede social” ele conseguiu a migração em massa e até a “morte” do orkut.

Os indivíduos assumiram então um nomadismo tecnológico migrando para onde se têm mais vantagens, rumando cada vez mais para empresas e se distanciando de alternativas autônomas. No próximo texto trataremos de como somos ingênuos ao trilhar este caminho indo diretamente para a boca da besta.

Nota: o movimento entre ferramentas tecnológicas, trazido no texto, é uma visão minha. Participei de alguns coletivos que abarcaram nessa linha. Se alguém discorda, passou por algo parecido, ou diferente. Por favor entre em contato. Manda um e-mail.

[1] - http://www.irc.org/

Fonte da imagem: http://atomiccircus.deviantart.com/art/mouth-prison-295843165

Bye Bye Wordpress

Já faz um tempo que a Rede Pelivre está buscando formas de economizar recursos do seu servidor. Uma das formas pensadas foi a migração da nossa estrutura de blogs, atualmente wordpress, para um gerador de páginas estáticas. Começamos uns testes com os principais: Jekyll, Pelican e Octopress.

Como tarefinha de casa eu pensei em brincar com o conteúdo do meu blog e o resultado é este. Confesso que na migração que fiz (wordpress -> octopress) notei o quanto de tralha o wordpress me oferecia e que eu não usava.

No meu caso eu optei pelo Octopress pela facilidade de configuração. Ainda estou novo por aqui, me acostumando à linguagem markdown.

Deixo alguns links de referência. Penso que não preciso fazer um tutorial pois a documentação dos sites é bem explicada.

OBS: alguns posts do blog estão truncados ou sem imagens porque não migrei tudo que tinha para markdown. Quando ficar 100% eu aviso.

Octopress Jekyll Pelican

O Protestódromo I: A Arte De Excluir

A ideia de fazer esse texto é antiga. Segurei um pouco imaginando que algo seria feito pós-denúncias do vigilantismo norte-americano com o NSA/Prism. Nada aconteceu… Pelo menos para uma maioria. Como o texto ficou um pouco longo, resolvi dividi-lo em partes(que ainda podem crescer).

Protestodromo

Na época dos levantes de junho de 2013 foi veiculada a ideia da criação de um protestódromo. Para muita gente a ideia de se ter um local apropriado para protestos soava ridícula. Apesar de acharem uma ideia ridícula, uma boa parcela das pessoas, já utilizam um protestódromo online.

– Tá sabendo que vai rolar mais tarde um debate bem legal lá no espaço Z?
– Não estava. Onde foi divulgado?
– Você não viu? No facebook ué!
– Mas eu não pude acessar por estes dias.
– …

Atualmente, se a pessoa não faz um uso cotidiano da internet ela fica à mercê de “estar” por fora das atividades que ocorrem ao seu redor. Isto é agravado se ela não usar o facebook. Infelizmente uma grande parcela da agenda de atividades de cunho libertário estão presas no facebook. A prisão surge quando toda a divulgação, ou a maior energia para tal, de algum evento fica exclusiva dentro do “face”. Caso a pessoa não possua uma conta nesta rede privada ela estará privada de informações, informações que – aparentemente – circulam livremente pela linha do tempo, mas que dificilmente ganha a internet como um todo, seja através de uma página, seja através de um e-mail.

Quando se está fora do facebook escuta-se: “lá atingimos um maior número de pessoas”, “você é radical demais”, “faz uma conta ué, uma conta só para ficar por dentro”. E assim excluímos pessoas quando o intuito era de incluir, ou não? Partimos para o uso de um local, privado, colocando nossos eventos libertários e “obrigamos” as pessoas a estarem lá. Como fica o “lá atingimos um maior número de pessoas” quando simplesmente as palavras-chave usadas são censuradas? Reclamar? Reclamar para uma empresa que você não consegue vincular um conteúdo X ou Y? Você reclama, para uma das empresas que ameaça a pluralidade da internet, que sua informação – que só circula ali – foi censurada. Isso soa um pouco cômico. E por onde anda a mídia marginal e contrainformação? Continua…

Fonte da imagem: https://www.flickr.com/photos/angrytoast/3196386644/

Você Conhece a Plataforma Corais?

 

A plataforma Corais é de grande ajuda na gestão de projetos colaborativos e seu funcionamento é baseado nos princípios da autogestão. Não há uma figura central para tocar os projetos, ele são tocados por tod@s.

Conheci a plataforma em 2012 durante a formação de uma Produtora Cultural Colaborativa chamada Recife+Art. A oficina era conduzida por Jatobá, um dos desenvolvedores do Corais.

Corais

Após um tímido uso, fui colocando alguns projetos nos quais estou envolvido. A experiência tem sido bastante interessante. Compartilho algumas:

TearAudiovisual

Apresentei a ferramenta ao Coletivo Tear no ano passado. Desde então, grande parte dos processos de tomadas de decisão, construção de materiais e documentação é feito através da plataforma. O Tear é um coletivo de audiovisual que trabalha colaborativamente.

CMTL

O Coletivo Marista de Tecnologias Livres é um grupo de Educand@s do CMCJ/CRC Recife que pesquisa/desenvolve tecnologias livres. O uso do Corais surgiu no período 2014.1 servindo basicamente para tomadas de decisão e documentação.

OXE Hacklab

O OXE é um espaço hacker de pesquisa e apropriação crítica de tecnologia que funciona em parceria com a Colaborativa.PE. Atualmente a gestão e documentação do OXE são feitas no Corais.

EXPOTEC

A IV Exposição de Tecnologias do CMCJ Recife foi organizada no Corais. Tomadas de decisão, textos colaborativos, identidade visual e etc foram elaborados através da ferramenta.

O Corais oferece uma gama de ferramentas:

  • Texto colaborativo (algo na linha do googledocs);
  • Blog;
  • Calendário;
  • Gerenciamento de Tarefas e Etapas;
  • Sugestões;
  • Votações;
  • Questionários;
  • Galeria de Imagens;
  • Mapas Mentais.

Além de ferramentas para Ecosol, como moedas sociais.

Com este post eu procurei ser bem sucinto, pois a Comunidade do Corais elaborou um livro sobre a plataforma. Além de informações de aplicações e uso, há também discussões sobre alternativas de produção, economia solidária, entre outras coisas. O livro foi elaborado dentro do próprio Corais, escrito por várias mãos, inclusive pela minha. Você pode baixá-lo aqui.

Oxe Hacklab

Oxe

Entre muitas idas e vindas com amigos que partilham visões parecidas e afins decidimos crair um hacklab. O nome Oxe surgiu de uma expressão regional daqui e também pelo excesso de “oxes” que falamos.

Atualmente estamos funcionando num espaço chamado Concha Colabor@tiva (farei um post sobre) na UFPE e estamos organizando nossos encontros de forma aberta e colaborativa através de uma plataforma de projetos chamada Corais.

No momento contamos com cerca de 7 participantes e estamos fazendo um basicão de eletrônica com práticas de solda. Estamos iniciando uma pesquisa sobre sensores para segurança do espaço (que sofreu tentativa de arrombamento).

Para saber mais acesse a nossa página na plataforma corais: http://corais.org/oxe.

I Festival De Tecnoxamanismo

Tecnoxamanismo

Entre os dias 23 e 30 de abril irá ocorrer o I Festival Internacional de Tecnoxamanismo no Arraial D’ajuda, Bahia. Este festival é uma tentativa de colocar, juntos, coletivos e indivíduos, para pensar-articular-confabular-desabafar-performar-elaborar perguntas, trocas e possíveis apontamentos de respostas para problemas atuais como a crise ambiental, o aumento da perseguição aos povos indígenas, o cerceamento da liberdade, entre outras coisas.

Não tem como me exceder mais tendo um texto tão bom (Prolegômenos para um Possível Tecnoxamanismo), escrito pela Fabi Borges, que pode ser baixado aqui. Adoraria discutí-lo.

A questão é que, para acontecer, o festival precisa de apoio. Apoio porque está sendo tocado por pessoas e para pessoas, sem intermediações de patrocínio, está sendo feito no espírito do faça você mesmo. Para que isso aconteça o evento está precisando de doações em dinheiro.

Por favor, ajude o Festival acessando aqui.

Para saber mais sobre o evento acesse: http://tecnoxamanismo.metareciclagem.or.

Obrigado!

2014: Tirando a Poeira

Voltando. Tirando a poeira aqui do blog, com muitas novidades e muita coisa acontecendo.

Peço desculpas pelo sumiço e tenho um boa desculpa: estava estudando para me formar. E consegui, agora sou Licenciado em Ciências Sociais.

Vamos com calma que este 2014 começou de uma forma bastante interessante. Logo de início falarei sobre o CMTL, Arduino, Prefeitura do Recife e sua Robótica cara e privada, etc.

Nos vemos logo mais ;)